domingo, 14 de agosto de 2011

Uma forma simples

Era um domingo ensolarado, mesmo no inverno. Ele saiu para perambular pela cidade. Não tinha esse hábito, mas naquele domingo ele levantou cedo e saiu. Viu as pessoas voltando da balada. Achou engraçado. Desceu em uma estação aleatória.

Era um domingo ensolarado, mesmo no inverno. Ela saiu de casa como fazia todos os domingos. Caminhou pelas ruas que já conhecia. Acenou para os vizinhos e sorriu. Educada, simpática e desastrada. Andava com bolsas pesadas.

Ele parou na frente de uma igreja antiga. Era curioso. Gostava de observar a arquitetura de edifícios antigos. Entrou na igreja e ficou parado próximo a porta. Não queria incomodar. Sentia uma essência de ameixa. Ouviu um barulho. 

Ela entrou na igreja e tropeçou. Todos olharam para ela. Sorriu sem graça. Ajoelhou-se na última fileira e juntou as mãos. Um gesto espontâneo. O esmalte de suas unhas era de uma cor pouco usual. Aquela cor tinha uma razão. Fechou os olhos.

Uma cena graciosa. Quis saber qual era o motivo de suas preces. Não deixou de observa-la. Focou toda a sua atenção naquele momento. A essência de ameixa era dela.

Uma cena constrangedora. Agradeceu pelo fim de suas aflições. Correu os olhos pelo recinto e desviou o olhar quando notou que era observada. Ficou corada.

Saíram juntos. Ombro a ombro. Ela pensou em puxar conversa, mas seria estranho. Ele não pensou apenas sorriu e disse:

- Oi.
- Oi.

Pessoas simples. Circunstâncias simples. Formas simples de vida e de viver.

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