Levantou com a roupa do serviço. Teve a sensação de que apanhou a noite toda. Estava um lixo:
- Ah então você acordou? Já se recompôs Bela Adormecida?
- Você ainda por aqui? O que você quer dessa vez? Pra que aparecer assim? Do nada? Qual o seu objetivo? Já disse que estou bem.
- Bela...Você me cansa com essa conversa. É sempre a mesma ladainha. Você não se cansa? Vamos, eu quero caminhar no parque.
Saiu de casa e caminhou sem rumo.
- Olha só que dia lindo. Eu senti falta disso. Das pessoas, do vento, dos carros. Olha como o mundo se organiza. Chega a ser patético: Pessoas que saem de casa todos os dias para os seus empregos de merda, pegam a condução pública lotada, sofrem abusos, se sujeitam as mais ridiculas imposições, se arriscam...Me diz Bela...qual a recompensa?
- Uma vida melhor...E eu não gosto que você me chame assim!
- Uma vida melhor! Essa é exatamente a resposta que eu estava pensando. Irônico não? Acho eloquente essa resposta: Uma vida melhor. Mas elas conseguem isso? Você conseguiu?
- Sim, conseguem. E nada é tão ruim como parece. Existem boas pessoas! Essa sua tendência ao pessimismo que não te deixa ver que mesmo com todos os problemas do mundo...
- Bela...Eu nunca disse que eram pessoas ruins. Só disse que a vida não aquilo que planejamos. Me parece que o mundo é um lugar um tanto quanto perverso. O mundo é sórdido e ele nos cerca o tempo todo...Você tem que se proteger. Você precisar confiar em mim, eu to aqui pra te ajudar.
- Eu dispenso sua ajuda. E sobre o mundo eu passei a entender melhor. Olhar de um jeito diferente, com uma perspectiva mais humana e menos mecânica. Estou quantizando menos. E aprendi que meu julgamento também elimina as pessoas que querem ou que poderiam potencialmente me prejudicar. Eu preciso voltar pra casa, tenho compromissos.
- Tudo bem. Bela! Essa não é a última vez que saímos pra caminhar. Você mudou, antes você sucumbia mais facilmente.
- É! Eu mudei...
- Até breve. Bela.
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