quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Solilóquio (Parte I)

Somente uma luz meio tom de uma vela quase que totalmente consumida. Ele estava sentado em sua cadeira:

- Não sei, mas tenho o hábito de machucar as pessoas que gosto desnecessariamente. Nunca me entendi como faço isso e quando vejo já é tarde demais. Sempre ultrapasso os limites.

- Você não sabe? Tem certeza que não sabe?

- Ah, então você resolveu dar as caras novamente? Fazia tempo que não conversávamos.

- Eu sempre me mantive por perto, você que ignorou o que eu dizia. Mas tudo bem eu estou aqui de novo e pode ficar tranquilo eu vou dar todas as respostas que você procura...

- Eu prefiro que você vá embora.

- E deixar você aqui? Sozinho? Se consumindo na sua tristeza? Parece que você não me conhece mesmo. Apesar de sermos da mesma matéria somos diferentes na essência. Veja eu por exemplo, eu sou seguro, forte, sagaz, inteligente...

- Manipulador!
- Eu uso bem as minhas habilidades para conseguir o que quero quando quero. A essa altura você deveria saber que todas as pessoas bem sucedidas fazem o mesmo e isso não as torna manipuladoras. 

- Eu não tenho que ouvir isso... Ainda mais de você.

- É claro que não! Afinal você ainda é um garoto assustado e egoísta. Não sabe lidar com as frustrações e com a verdade. Dentro de sua lógica dissimulada você afasta todos usando desculpas. Elas até funcionam com os mais desavisados, mas sabemos que você por dentro é vazio. Você se aproveita das fraqueza alheias e reflete exatamente aquilo que esperam de você. Agora me diz? Quem é pior? Eu ou você?

- Você já disse o que queria? Agora pode ir embora!

- Eu acabei de chegar e tenho que dizer que estou feliz por estar de volta. Pode deixar minha criança que eu vou cuidar de você...

- E não quero você aqui mexendo com a minha cabeça de novo!
- Eu sinto muito, mas você não está em seus melhores dias, sendo assim estou assumindo o controle. Descanse e assim que você se recompor conversaremos novamente.


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