segunda-feira, 25 de julho de 2011

Dia difícil (sem mais)


para todos aqueles que me entendem

Acordei sem vontade de levantar. Era segunda-feira fria, na terra da garoa – que agora também é a terra da baixa umidade do ar e da poluição. Esfreguei os olhos e olhei para o relógio que piscava intermitente na minha mesa de cabeceira. Eram 06hrs e 30mins, o despertador não tocou e eu estava atrasado. (Droga)!
Levantei correndo e bati o dedo mindinho no pé da cama (às vezes acho que esse dedo só existe para nos causar dor em momentos inoportunos). Fui saltando até o banheiro praguejando e fazendo anotações mentais: (Nunca mais comprar relógios xing-ling). Me despi e senti até a minha alma congelar, no intuito de apaziguar o frio, liguei o chuveiro e sem pestanejar entrei. Para minha grande surpresa a resistência queimou (Ótimo!). Tive a sensação que meus órgãos internos estavam mergulhados em uma banheira de álcool e gelo . Foi provavelmente o banho mais rápido e mais mal tomado de toda minha vida (Minha mãe que sempre reclama dos meus longos banhos se orgulharia daquele feito). Abri o box e novamente senti aquela brisa polar, mas sou forte! Se até aquele momento não tinha morrido de hipotermia não seria ali que pereceria. Me enxuguei fazendo a barba e requentando o café da noite anterior e exatamente as 06:45 estava pronto.
Sai correndo de casa e desci correndo as escadas (Não sem tropeçar – sim sou desastrado - e experimentar a emoção de uma quase fratura exposta). Depois daquela maratona cheguei ao ponto e dei sinal para o ônibus...que passou direto. Só não fiquei mais furioso porque outro logo em seguida parou mas para variar estava cheio (de onde saíram tantas pessoa? E porque elas pegam o mesmo ônibus que eu? Começo a desconfiar de alguma conspiração universal)
Por em milagre consegui sentar ou melhor desabei em um dos assentos e me pus a pensar: O que causou essa desgraça toda? Pensei inicialmente que era culpa do mundo capitalista, depois nas imposições ridículas do meu chefe idiota...mas por fim descobri que o real motivo da minha loucura era o despertador! Exclamei (É claro! Obviamente fiz isso dentro da minha cabeça afinal de contas não queria passar a imagem de louco-psicótico-transtornado-bipolar dentro do ônibus).
Pensei tanto que até cheguei na semiótica da palavra: Desperta – Dor. Coisa com um nome desse não pode ser boa coisa. Um aparelho demoníaco e vil, construído justamente para te despertar do seu sono quase que divino para um dia inteiro de dor, stress e humilhações de todas as espécies. Consegui recuperar o atraso e no caminho do serviço pensei no meu mundo alternativo sem desperta-dores. (Seria o fim de todas as guerras, congestionamentos e também do telemarketing. As pessoas seriam felizes pois fariam seus próprios horários).
Cheguei pontualmente as 08hrs e 00min (horário de Brasília), e meu chefe com aquela cara perplexa me pergunta:
 
-O que você está fazendo aqui? 
-Como assim? Trabalhando? (Pronto, meu chefe surtou de vez, tá certo que ele nunca foi um sujeito muito são). 
- Mas suas férias não começaram hoje?

Meu mundo ruiu! Virei as costas e fui embora e por diversas vezes tive surtos de raiva e fúria. (Bom estou de férias e pronto para mudar minha vida radicalmente). Cheguei em casa e antes de mais nada atirei o despertador pela janela, e para minha surpresa ele acertou a cabeça de um transeunte e como toda invenção maligna e maléfica que cumpre sua missão ele despertou a dor naquela pobre alma que por ali vagava. Se fosse no meu mundo eu não surtaria assim, afinal de contas não precisaria me preocupar com horário e se fosse no meu mundo ninguém seria preso por arremessar despertadores pela janela.

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