segunda-feira, 18 de março de 2013

Amor passageiro

Não existe lugar ou situação para conhecer o "grande amor" e é assim que começa o caso de Ezequiel ou  "Kia" para os mais próximos.

O local: Estação da Sé - 18:13 PM. Devido a chuva as composições transitavam em velocidade reduzida e maior tempo de parada nas estações.

O Clima: Abafado e úmido.

 
A situação:  

    Quando as portas do metrô abriram ele foi arrastado pela inércia - dos outros passageiros - para dentro do vagão. Não ficou numa posição confortável, mas quem fica confortável na Sé as 18:14? 
    Um pé ficou meio levantado e o outro ele não tinha muita certeza de onde estava, a mochila na mão esquerda enquanto a direita tentando segurar no apoio para atingir o equilibrio daquela posição que nem o mais elástico praticante de Ioga conseguiria manter por muito tempo.
    Como não havia muito o que fazer resolveu observar os outros passageiros e assim ele a viu. Uma moreninha de cabelos alisados de aproximadamente 1,65. Usava uma regata branca e uma calça preta. Foi amor à primeira vista! Ele soube assim que a viu espremida entre o gordinho suado e o senhor - ou senhora? -  de bigode que tinha um cheiro estranho.
     Ela estava com um olhar perdido e ao mesmo tempo com o nariz torcido, muito provavelmente por conta do odor. Tentava se abanar com um caderno, mas sem muito sucesso. 

O desfecho:

    Para "Kia" o tempo parou - ou foi o metro? "que estava aguardando a movimentação do trem à frente". - de qualquer forma 10 minutos olhando para aquela mocinha formosa, imaginando como seria sua voz e arquitetando toda sua vida com ela. 
    Desde aquele encontro até o primeiro beijo. Do namoro ao casamento. Das crises financeiras e da meia idade até o final de suas vidas. Seriam enterrados juntos, pois um não viveria sem o outro e assim selariam seu amor eterno. Sim esse seria o final perfeito.
    Mas a dura separação ocorreu quando chegaram a estação Brás. Ela desembarcou e "Kia" ficou de coração partido. Amargurado, pois perdera seu amor e com a certeza que nunca mais a encontraria. Praguejou contra seu deus e amaldiçoou o Universo e seus jogos cruéis. Prometeu nunca mais se apaixonar.

A compensação: Sua dor passou imediatamente após ele conseguir um assento simular um cochilo ao ver uma senhorinha se aproximar.

    

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