sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Desorganizado

De esperar pelos acontecimentos casuais? Cansou. Naquela noite quase se perdeu por não reconhecer aquele reflexo no espelho. Olhos perdidos, falta de ar, sorriso quebrado, movimentos involuntários.

Composto. Sabe? Involuntariamente o sangue pesa mais que a água. Como é possível? Mesmo corpo e dois seres que se anulam e se completam. Existem arestas, falhas, defeitos que precisam ser corrigidos, mas não agora. É melhor ficar calado.

E, muito embora saiba que a forma usual da amargura é a mesma que leva à felicidade, prefere ignorar e sentar-se só. Tudo é passageiro ou efêmero. Tanto faz.  O gosto já não é mais o mesmo e as cores estão desbotadas. Tendem ao cinza decadente. 

A realidade que o assombra está mais presente. Gente que vai e vem. Gente que anda de cabeça baixa e não tem perspectiva, que os olhos não brilham. Gente que pensa em dinheiro, sexo, cachaça, programa sensacionalista, sucesso e dar risada. Gente que cruza o mesmo caminho todos os dias e só percebe que não anda mais do mesmo jeito quando já foi longe demais. Gente demais.

Deitou na grama e repousou a cabeça. Tapou os olhos, mas deixou uma fresta só pra ver os primeiros raios de sol. Suspirou. Sentiu novamente falta de ar e uma aperto no peito. Queria conversar, mas não responderam. Ficou ali e dormiu.


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