domingo, 31 de julho de 2011

Noite

Seria mais fácil de suportar se sofresse tortura física. Ele não conseguiu pregar o olhos, pois estava esperando, mesmo que fosse ruim, gostaria de saber o que estava acontecendo.

Em tempos inconstantes as noites se tornam eternas, mais frias e  mais escuras . Ele ouvia o andar dos ponteiros do relógio. Levantou da cama, pois já não aguentava mais aquela situação. Teve o ímpeto de sair e buscar a resposta, mas como? Estava de mãos atadas diante daquela situação, a única coisa que lhe sobrava era a espera.

A ansiedade consumia seu ser. Sentia uma sensação de assombro que gelava seus ossos, um sufoco, um aperto no peito, palpitações, suava frio. Andou pela casa em círculos, tentou buscar alguma distração, mas nada era satisfatório. Sempre que tentava fechar os olhos para dormir tinha visões que o despertavam novamente.

Seus olhos nem piscavam mais. Sentou-se na soleira da sua casa e ficou esperando o dia amanhecer. Cerrou os olhos e viu no horizonte uma figura que se aproximava rapidamente. Levantou e passou a mão nos cabelos desgrenhados. Suspirou. Era o fim do seu tormento.

Finalmente recebeu a notícia. Agradeceu cordialmente ao mensageiro. Leu atentamente e depois queimou o telegrama, assim o segredo lhe foi confiado estaria selado. 

Seria mais fácil de suportar se sofresse tortura física, mas ele não se queixava, pois sentia-se vivo.

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